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Anatomia do Além: Por que os "Pulmões" de André Luiz não contradizem a Razão de Kardec

Se você já se aventurou pelas páginas de Nosso Lar, certamente deu um pulo da cadeira no primeiro capítulo. Lá está André Luiz, recém-chegado ao Umbral, jurando de pés juntos que, embora estivesse morto, seus "pulmões respiravam a longos haustos" (Livro Nosso Lar — Espírito André Luiz psicografia de Chico Xavier - Cap 1 - Nas zonas inferiores). Para os fiscais da "pureza doutrinária", isso soa como heresia: "Kardec disse que as sensações são gerais!" (Livros dos Espíritos - Ensaio teórico da sensação nos Espíritos - item 257). Mas, antes de cancelarmos o Dr. André Luiz vamos usar a razão proposta pelo Codificador e perceber que a anatomia do Além faz muito mais sentido do que imaginamos.



1. O Perispírito não é um "Espírito Oco"


Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, define o perispírito como o laço semimaterial que une a alma ao corpo [perguntas 135a]. Trasncrevemos aqui a pegunta 135 e 135a para maior clareza:


135. Há no homem alguma outra coisa além da alma e do corpo?

“Há o laço que liga a alma ao corpo.”


135a) De que natureza é esse laço?

“Semimaterial, isto é, de natureza intermédia entre o Espírito e o corpo. É preciso que seja assim para que os dois possam comunicar-se um com o outro. Por meio desse laço é que o Espírito atua sobre a matéria e reciprocamente.”


Mais do que um simples "vapor", os Espíritos Superiores afirmam categoricamente que esse envoltório "guarda a aparência de sua última encarnação" [perguntas 150a, 262a]. Mais uma vez fazemos questão de transcrever as perguntas do Livro dos Espíritos de Allan Kardec:


150. A alma, após a morte, conserva a sua individualidade?

“Sim; jamais a perde. Que seria ela, se não a conservasse?”


150a). Como comprova a alma a sua individualidade, uma vez que não tem mais corpo material?

“Continua a ter um fluido que lhe é próprio, haurido na atmosfera do seu planeta, e que guarda a aparência de sua última encarnação: seu perispírito.”

OBS: os grifos são nossos


Ora, convenhamos: se o perispírito mantém a aparência humana, como conceber um ser que tem rosto, braços e pernas, mas é um vácuo absoluto por dentro? Seria o equivalente espiritual a um balão de festa — bonitinho por fora, mas cheio de nada por dentro. A lógica de Kardec nos mostra que o Espírito é um ser real e circunscrito, apreciável, em certas condições, até pelo tato. Ter aparência implica ter estrutura, e estrutura, no modelo humano, implica órgãos, ainda que compostos de matéria quintessenciada.


2. Pulmões e Densidade: A Ciência do Grau de Desmaterialização


A grande polêmica reside na frase de Kardec: "Destruído o corpo, as sensações se tornam gerais" (Livros dos Espíritos - Ensaio teórico da sensação nos Espíritos - item 257). Muitos interpretam isso como se o Espírito virasse uma espécie de "esponja sensitiva" sem órgãos. Contudo, a chave está no grau de desmaterialização.


Kardec explica que Espíritos menos purificados (mais materializados) permanecem presos à matéria e conservam "as ideias, os pendores e até as manias que tinham na Terra". E para não restar dúvidas fazemos questão de transcrever da Introdução do Livro dos Espíritos de Allak Kardec tópico XII, segue:


"Só os Espíritos que atingiram certo grau de purificação se acham libertos de toda influência corporal." OBS: grifo nosso


Com esse entendimento de que espíritos sem alto grau de purificação continuam tendo a "influência corporal" fica fácil entender a necessidade de orgão espirituais para nós espíritos imperfeitos, como é a grande maioria da Humanidade, excluindo-se talvez alguns raríssimos supostos "puros espíritos encaranados". Para um Espírito como André Luiz, recém-saído de uma encarnação densa, a densidade de seu perispírito faz com que ele sofra o que chamamos de "ilusão da localização". Ele sente os pulmões porque sua mente e seu envoltório sutil ainda estão impregnados pelos hábitos orgânicos como a quase totalidade da Humanidade Terrena. Então é natural que possua como na maioria de nós outros orgão espirituais. E essa simples assertiva nos leva a refletir na atmosfera do mundo espiritual pois se existem pulmões no mundo espiritual há de existir oxigênio. Isso nos leva a outros estudos ainda mais interessantes (ainda estamos só na primeira frase do Livro Nosso Lar) mas por enquanto fiquemos por aqui, podemos explorar este outro tema da atmosfera espiritual em outros estudos.


3. Materializações: Como materializar o que não existe?


Se você ainda acha que o corpo espiritual é um "fantasmão oco", os fenômenos de materialização destroem essa tese. Pesquisadores como William Crookes e Charles Richet (eméritos cientistas que dispesam apresentações) estudaram Espíritos que se tornavam tangíveis usando o ectoplasma do médium.


Nesses casos, os Espíritos materializados apresentavam batimentos cardíacos, temperatura e respiração pulmonar captada por instrumentos. Se o molde original (o perispírito) não possuísse a matriz desses órgãos, onde o ectoplasma se apoiaria para formar um coração que bate? A tese do "Espírito oco" é cientificamente ridícula perante os fatos mediúnicos. O estudo sem observação da própria natureza espiritual nos faz perder o fôlego diante da realidade.


4. Paulo de Tarso e a Anatomia da Ressurreição


A ideia de que o Espírito tem um corpo organizado não nasceu com Chico Xavier e a obra de André Luiz. Paulo de Tarso, o Apóstolo dos Gentios, já dava aulas de anatomia transcendental há dois mil anos: "Semeia-se corpo animal, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo animal, há também corpo espiritual" (1 Coríntios 15:44).


Negar a existência de órgãos ou estruturas nesse "corpo espiritual" é uma interpretação infantil. Se há um corpo, há organização. O Espiritismo apenas "abriu o capô" desse veículo, revelando que ele não funciona por mágica, mas por leis naturais que ligam a alma à matéria.


5. O Binômio Kardec-Chico: Desvendando o Mundo Espiritual


Não há contradição, há complementação. Kardec lançou as bases fundamentais, os alicerces da "filosofia racional". Ele nos deu o mapa geral da espiritualidade. Chico Xavier, através de André Luiz, trouxe o "microscópio", detalhando como esse mapa funciona na prática do dia a dia das colônias espirituais.


Enquanto a não-localização das sensações é o estado ideal do Espírito puro [Pergunta 249a - Livro dos Espíritos], a percepção localizada é a realidade necessária para aqueles que, como nós, ainda sentem o peso da matéria em seus envoltórios fluídicos.


Conclusão


Em suma, a constatação da existência de órgãos nos nossos corpos espirituais em nossos periespíritos, após a nossa desencarnação, na obra Nosso Lar são a confirmação prática da teoria da densidade perispirítica de Kardec. Tratar o Espírito como um ser abstrato e sem forma interna é ignorar a própria substancialidade do perispírito que o Codificador tanto defendeu.


Que possamos estudar essas obras com o intuito de escapar da nossa ignorância crônica e enfrentar o orgulho de acharmos que já somos "PHDs" no Além. Rogamos a Jesus que nos abençoe e que, quando chegar a nossa hora de "respirar a longos haustos" no outro lado, tenhamos a lucidez de André Luiz e a base firme de Kardec para não ficarmos engasgados com a nossa própria falta de estudo e de trabalho com o Cristo nosso Senhor e Mestre.


 
 
 

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